18 abril 2017

PARA DILMA ROUSSEFF, SISTEMA POLÍTICO ATUAL TORNA O PAÍS ‘INGOVERNÁVEL’

Agência Estado
A presidente cassada Dilma Rousseff voltou a defender nesta segunda-feira, 17, nos EUA, a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para realização da reforma política, que deve ter por objetivo a redução do número de partidos. Segundo a petista, o sistema atual torna o País “ingovernável” e incentiva o fisiologismo, com a negociação de cargos, emendas parlamentares e “benesses” em troca de apoio no Congresso.

“Como ninguém pode pedir para a raposa reformar o galinheiro, porque o mínimo que a raposa faz é criar um caminho direto para as galinhas, no Brasil é necessário que seja uma Constituinte exclusiva. É imprescindível que seja uma Constituinte exclusiva”, afirmou Dilma em palestra da Universidade Howard, uma das mais tradicionais instituições de ensino superior voltadas para a população negra dos Estados Unidos.
No aniversário de um ano da abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, a presidente cassada repetiu a tese de que foi derrubada por um golpe parlamentar promovido pela elite econômico-financeira do País, interessada em retomar a implementação de uma agenda neoliberal que teria sido interrompida com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
Esse projeto seria representado pela candidatura do atual senador Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa presidencial de 2014. Segundo Dilma, as forças adversárias tinham a expectativa, “até o último momento”, de que haviam vencido a eleição, o que não se confirmou. “Para implantar seu programa, eles tinham que suspender a democracia.”
A uma plateia majoritariamente negra, Dilma disse que a “elite branca” brasileira se incomodou com a ascensão social de pobres e negros, que passaram a frequentar salas de aeroportos e espaços que antes não ocupavam. Em sua narrativa, não houve nenhuma menção aos protestos de 2013 nem à profunda crise econômica em que o País mergulhou durante seu governo.
Dilma disse que não tem planos de voltar ao poder. “Até onde a vista enxerga, neste momento, (eleição) não é algo que eu esteja buscando”, afirmou. “Dos 15 aos 64 anos sempre fiz política a vida toda e nunca tive cargo, o primeiro cargo que eu tive foi o de presidente”, completou, sem fazer a ressalva de que havia ocupado cargos não-eletivos anteriormente.

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