16 abril 2017

PROPINA PODERIA CUSTEAR A ABERTURA DE UPAS, UBS, CRECHES E COMPRAR 142 AMBULÂNCIAS

 
Apenas parte dos valores movimentados no esquema de corrupção dos três últimos governos, revelado por delações de executivos da empreiteira Odebrecht, poderia ter servido para custear obras fundamentais para o país.

Um levantamento com base em inquéritos abertos pelo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e outros processos remetidos a instâncias inferiores, o esquema de corrupção da empreiteira pagou pelo menos R$ 450 milhões a políticos em forma de caixa 2 ou propinas. Com esse valor, seria possível, por baixo, custear 130 mil vagas em creches ou abrir 394 Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), por exemplo.

O esquema de corrupção ia desde a aprovação de leis no Congresso em benefício da empreiteira a fraudes em processos licitatórios. Em um cálculo entre os 98 investigados na Suprema Corte, a propina per capita equivale a R$ 2,96 milhões. Com esse recurso, cada autoridade investigada poderia construir 15 Unidades Básicas de Saúde (UBS). O comparativo foi feito com base em obras consideradas estruturais e que acabam servindo de vitrine para diversos políticos.

Em novembro do ano passado, por exemplo, o presidente Michel Temer anunciou a intenção de retomar 1,6 mil obras que estão paradas pelo país, entre elas UPAs, UBS e creches. Para isso, prometeu o repasse de R$ 2,073 bilhões, sendo que grande parte das construções tem o valor orçado entre R$ 500 mil e R$ 10 milhões.

Com apenas parte dos recursos entregues pela Odebrecht a políticos, seria possível comprar mais de três mil ambulâncias, construir duas mil unidades de saúde e criar pelo menos 136 mil vagas para alunos em creches públicas.

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