Cala a boca já morreu

A eficácia das delações premiadas no desmonte das relações promíscuo-criminosas entre agentes públicos e privados da corrupção na política mostra que o silêncio foi motor dessa engrenagem há tantos anos em funcionamento e de amplitude ainda não de todo aferida. A cada uma delas, surgem novos e mais importantes envolvidos. Não fossem elas, ainda viveríamos dias de desmentidos protocolares, negativas e silêncios protetores em comissões parlamentares de inquérito, tempos de escândalos com prazo de validade logo substituídos por outros igualmente efêmeros e destinados ao esquecimento.
O uso da lei que prevê benefícios judiciais a criminosos confessos cujos relatos a respeito das circunstâncias e dos parceiros venham a contribuir efetivamente para a elucidação dos fatos, junto com o preparo da nova geração de procuradores e o procedimento mais rigoroso da Justiça, mudou as coisas no Brasil. O notório dístico “não vai dar em nada” cedeu lugar à iniciativa de entregar todos os pontos. Abrir mão dos anéis, a fim de preservar os dedos. Rompida a lei mafiosa da omertà, abriram-se as portas da oportunidade única de revisar práticas consolidadas há décadas e tornadas descaradas pela ambição atabalhoada, felizmente lambuzada, do PT.
 
Da Revista Veja

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