13 dezembro 2017

13 de dezembro, dia de Santa Luzia e dia de esperança do sertanejo com a experiência das Pedras de Sal

13 de dezembro. Dia de Santa Luzia. Para o homem do campo, hoje é o marco inicial para uma série de "experiências" e perspectivas de inverno para o ano seguinte.

Essas "experiências" representam muito mais que exercícios de possíveis previsões de chuva. São, antes de tudo, um traço cultural do povo do nordeste que tem no bom inverno a redenção de sua miséria com a fartura de sua lavoura.

No entanto, porém, essas "experiências, vem perdendo força ao longo dos anos e está, perigosamente, fadada ao esquecimento. Essas tradições não são mais praticadas pelos agricultores mais jovens e tendem a se perderem no tempo.

Cabe aqui, fazer o nosso resgate e, antes de tudo, por em prática essas duas "experiências" que trataremos a seguir. E faremos isso hoje a noite. Noite de Santa Luzia.

Na obra "A Terra e o Homem no Nordeste", o geógrafo Manuel Correia de Andrade apresenta um minucioso relato do que podemos considerar uma cronologia das práticas do sertanejo neste aspecto:

“Assim, preocupando-se com uma possível seca, o sertanejo está sempre às voltas com as ‘experiências’ e prognósticos sobre a possibilidade de chuvas nos anos que virão. Para estas ‘experiências’ o dia de Santa Luzia (13 de dezembro) é o mais importante, uma vez que o toma como ponto de referência para o mês de janeiro do ano seguinte e os dias que se seguem correspondem aos outros meses (assim o dia 14 é fevereiro, 15 é março, 16 é abril e assim por diante até o dia 24 que corresponde ao mês de dezembro). No dia em que chover, o mês correspondente será de chuva e naquele em que não chover, o mês correspondente será seco.

Outra experiência consiste em colocar-se seis pedras de sal, representando os seis primeiros meses do ano (vindouro) sobre um plano, no ‘sereno’, na noite de Santa Luzia. Pela manhã, a pedra que estiver mais dissolvida representa o mês mais chuvoso do ano que se segue. Se essas experiências derem resultados negativos, o sertanejo, apreensivo, começa a pensar nos horrores da seca e na possível necessidade de retirada.

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