24 janeiro 2018

Sem viatura, polícia só assiste homicídios no RN

Quatro casas com as portas arrombadas. Em uma delas, um casal morto na cama em que dormia. Numa outra residência, um homem também é encontrado sem vida, caído no piso. Foi este o cenário da madrugada desta terça-feira, 23, em Jandaíra, município da microrregião da Baixa Verde do Rio Grande do Norte.

A pequena cidade com menos de sete mil habitantes, de acordo com dados do IBGE disponibilizados no ano passado, registrou quatro homicídios somente nos primeiros 23 dias de 2018.

Os homicídios que aterrorizam Jandaíra podem ficar sem solução. Os policiais militares da cidade não contam sequer com uma viatura para trabalhar.
Há dois meses, o veículo quebrou durante uma perseguição que só acabou em João Câmara. “Para atender as ocorrências, vou no meu próprio carro. Não posso deixar a população a mercê dos bandidos”, disse o sargento chamado de Kiko pelos jandairenses.

As ocorrências atendidas pelo sargento e pela equipe formada por mais seis policiais militares são levadas à Delegacia de Polícia Civil de João Câmara, que atende a cinco municípios. Responsável pela investigação, o delegado Joacir Rocha também foi procurado pela reportagem.

Perguntado sobre o que fazer para elucidar os casos homicidas em Jandaíra, o delegado revelou também ser um refém da crise vivida pelo estado na segurança pública. “Não tem como fazer nada. Eu trabalho com dois agentes e um escrivão para dar conta de cinco cidades.

Em João Câmara, a principal delas, a gente só consegue resolver 5% dos casos.
Baseado nos depoimentos que conseguiu colher, o delegado acredita que os homicídios têm relação com o tráfico de drogas. A opinião é a mesma do sargento, que mora na cidade: “Conheço eles. Eram traficantes ou usuários”, assegurou.

O número de mortos em Jandaíra neste ano pode subir a qualquer momento. Isso porque um homem raptado há mais de 20 dias ainda está desaparecido. Nem a Polícia Militar nem a Polícia Civil souberam dizer quem é. “O que sabemos é que foi pego quando trafegava de moto, mas ele não é daqui. Estava de passagem pela cidade”, informou o sargento, reforçando que quem vê os crimes tem medo de colaborar com as forças policiais.
 
Fonte:Marcos Silva

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